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Célia Correia Loureiro

Sobre a vida, em dias de chuva, de fascínio ou de indignação!

28
Set20

Carta às mulheres que continuam com homens execráveis


celiacloureiro

Isto não é um apelo feminista: é um apelo à integridade física e psicológica de um estrato social que são as mulheres, e é dirigido às que vivem relações tóxicas com homens que deviam estar internados em alas psiquiátricas, e que ameaçavam levá-las a elas à loucura – ou à morgue.

Há vários argumentos para uma mulher não deixar um homem execrável: um deles é que é pai dos seus filhos, e não quer que os filhos cresçam sem pai. Aqui talvez devamos atentar na definição de pai. Um pai não é o tipo que entrega uns trocos para as compras da casa, nem quem paga metade da creche, nem quem oferece um brinquedo aos miúdos no Natal. Há tipos que são pais sem um tostão no bolso, mas que tiram prazer da companhia dos filhos, que agem com cada pensamento direcionado ao melhor das crianças. Depois há tipos para quem estar com os filhos é um frete, um cansaço evitável, um aborrecimento de fim-de-semana. Os filhos como fardo, e o pretenso pai a destruir um fim-de-semana de amigos e copos por causa dos putos.

Para mim um pai é quem ama os filhos, quem os põe à frente de si próprio, quem canaliza para eles (e para o seu bem-estar) os recursos necessários para que possam crescer saudáveis e felizes. E atenção que os miúdos não precisam de muito para serem felizes.

Esclarecida a definição de pai, uma mulher, sobretudo se uma que trabalha, não precisa de aguentar uma relação abusiva por causa dos filhos – pelo contrário, se o pai maltrata a mãe, física ou psicologicamente, se lhe destrói a paz e a autoconfiança – priva-a da força necessária para cuidar das crianças. E as crianças, acreditem, não querem pais que maltratem as mães. Por muito que esses pais tenham os bolsos cheios de rebuçados flocos de neve.

Quando o homem aterroriza a mulher com ameaças, com mensagens que talvez pudessem encontrar até um enquadramento penal, com ofensas, com boçalidades que traduzem – resumidamente – que ele na realidade é uma besta, a mulher deve fechar a porta. Porque é que algumas mulheres são maltratadas – humilhadas, espezinhadas – por este tipo de homem doente, e não fecham a porta? Algumas não conseguem fazê-lo – porque ele as ameaça e persegue, por exemplo. Mas outros têm um bocadinho de respeito às autoridades e, sobretudo, querem preservar a imagem de santo perante a família e os amigos (em suma: esconder que são, afinal, a tal besta), e até as deixariam ir em paz. Isto é, durante alguns dias, ou semanas, podem até mentir, dar a entender que daqui por diante vão ser melhores. A mulher tem é de compreender que esses homens não têm melhor – aquilo são eles a nu, e depois de mostrarem a sua verdadeira natureza não há como varrê-la para detrás da máscara do cordeirinho de início de namoro.

E algumas mulheres deixam mais depressa um homem que as traia do que um homem que as maltrate. Porquê?

Uma relação tóxica destrói a mulher, destrói a família, destrói a conceção de família e relacionamento saudável para as crianças. Suga a alegria, a espontaneidade, os momentos bons de que as vidas devem ser férteis. Torna-se uma relação de interdependência que os destrói a ambos – um porque a alma apodrece ao fazer mal, outro porque a sensibilidade se estilhaça ao ser vítima de agressões gratuitas de alguém a quem, a todo o momento, se procura agradar. Espero que essas mulheres encontrem forças para se livrarem dos homens execráveis: acordem um dia e entendam que são mais, que merecem mais, e que o problema é que esses homens não sabem amar, não saber pôr-se no lugar dos outros, não querem construir nada nem sequer providenciar vidas melhores aos filhos que dão diligentemente andam por aí a fazer. Atenção: claro que têm o seu lado charmoso (manipulador), ou são bonitos, ou ótimos a fingir-se de arrependidos. Não caiam em nenhuma dessas tretas.

O feminismo fundamentalista dos anos 60 e 70 apregoava mulheres de pêlo no sovaco e que não precisavam de homens para alcançar sucesso. O feminismo de hoje em dia, mais consciente, sabe que o que importa é a felicidade da mulher. Que a mulher se cumpra psicologicamente, sexualmente, socialmente, e também, se o desejar, na maternidade e nos relacionamentos amorosos. O que não entendo é como é que algumas dessas mulheres de hoje, que sofrem nas mãos de homens abjetos, ainda não entenderam a verdade absoluta por detrás do famoso “antes só do que mal-acompanhada”.

Libertem-se! Os vossos pais não vos criaram para isto. Ou, se os vossos pais também viviam relações doentes, como não registaram o exemplo como um a não repetir? Libertem-se! Os vossos filhos não têm de levar com os danos colaterais da vossa relação apodrecida. Libertem-se! Merecem mais, merecem melhor. Nunca se rebaixem. À primeira ofensa, partam para outra. Há homens que avançam sobre a boa-vontade de uma mulher até a transformarem num caco, num ser humano que se auto-anula, num trapo velho. Libertem-se! Estamos convosco.

19
Set20

O que 4 dias de cuidado na alimentação e hidratação extra podem ter feito pela minha psoríase...


celiacloureiro

Tenho recebido várias mensagens privadas de pessoas que conhecem alguém que tem psoríase, e que por algum motivo não se parece muito com a minha, ou é exatamente igual à minha. A psoríase é uma doença muito complexa que pode causar vários tipos de lesão diferentes. Há quem a tenha por placas grandes e avermelhadas (como que continentes), e quem a tenha em pintinhas (como que ilhéus), e há quem a tenha apenas localizada e muito ressequida apenas nos cotovelos, joelhos e couro cabeludo. Eu, por exemplo, nunca tive lesões no couro cabeludo, no rosto nem nos joelhos. A minha psoríase começou com uma medalhinha no centro do peito, que foi crescendo e que não desaparecia de modo algum.

A psoríase é uma doença autoimune (o corpo combate-se a si próprio), crónica e não contagiosa, possivelmente despoletada por stress ou outros fatores psicológicos. No Brasil existem cerca de 5 milhões de pessoas com essa doença, e é encarada como algo que, não comprometendo a capacidade de trabalho do paciente, pode prejudicar a sua contratação e permanência num posto de emprego devido a discriminação quanto ao aspeto das lesões ou medo de contágio. Por esse motivo, a minha pesquisa sugeriu que há muito apoio do estado nessa doença, inclusive financiando medicamentos biológicos. O número de doentes em Portugal é de cerca de 250 000 (https://psoportugal.pt/), e o estado também garante alguns benefícios aos portadores da doença. Em primeiro lugar, existe uma “portaria” para doentes com psoríase, que garante comparticipação extra nos medicamentos com receita médica indicados para a doença. Isto porque muitos corticoides e pomadas/loções podem ser também indicadas para outras doenças que não apenas esta. O estado também financia tratamentos como fototerapia e medicamentos biológicos, desde que o paciente se disponibilize para acompanhamento próximo e para o camadão de exames de rotina a realizar para seguir essas terapêuticas. A minha dermatologista (a espetacular Ana Ferreira no Hospital dos Capuchos), disse-me que há imensos doentes de psoríase que não fazem tratamento. Não me espanta… a dada altura também me aborreci das análises, raio-x e testes à tuberculose a cada três ou quatro meses. Durante anos tomei Enbrel, um imunossupressor na altura com o custo de c. 1360,00€/caixa (continha 4 injeções de 25ml, que eu devia injetar duas vezes por semana no braço, barriga ou coxas). Era-me entregue gratuitamente na farmácia do hospital, e via outros doentes crónicos a levantarem os seus medicamentos com o mesmo ar resignado.

A psoríase pode evoluir para uma série de outras complicações, entre elas a artrite reumatoide, que é uma doença bastante debilitante porque ataca as articulações e dá dores atrozes. Tenho uma familiar que sofre dessa doença e tem fases em que se deixa ficar no sofá até que alguém surja para poder auxilia-la a levantar-se. Por todos estes motivos, mas também pela carga psicológica que a psoríase acarreta para o doente, entende-se que não é uma doença que mata, mas é uma autoimune que mói bastante, e a todos os níveis.

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Existem vários fatores que causam irritação na pele (diretamente) ou no organismo do doente que tem psoríase, como sejam:

- Tabaco;

- Álcool;

- Stress;

- Fritos;

- Açúcar;

- Glúten;

- Lactose (no meu caso);

- Alimentos processados em geral;

- Tecidos artificiais como nylon ou poliéster;

- Banhos longos e com água quente (a psoríase não gosta muito de água e muito menos quente, que pode irritar ainda mais a pele).

Alimentos passíveis de causar inflamação no corpo também despoletam crises de psoríase, porque o corpo intensifica o combate a esse “invasor”, e o resultado da luta é visível na escamação e vermelhidão da pele. Alimentos picantes, por exemplo, podem ter este efeito.

O combate à psoríase começa por dentro, o que pode ser mais difícil e bem mais exigente do que passar um creme com cortisona sobre as lesões (acaba por causar habituação e deixar de funcionar), injetarmo-nos numa base regular, ou tomar comprimidos que atuam sobre o organismo e as manchinhas, mas que custam a saúde do estômago (quando penso no sabor a borracha dos comprimidos que tomei, ainda sinto pontadas no estômago). Para se ter uma vida saudável apesar da doença, há que trabalhar a paz de espírito e fugir ao stress, trabalhar o corpo (tento fazer yoga, porque a qualquer instante a doença pode evoluir para aquela outra que nos come as articulações), cuidar da alimentação e manter um ritual de hidratação (chato) adequado.

Decidi escrever estas linhas para alertar os outros doentes de como isto é, acima de tudo, uma jornada pessoal. Há que entender o que irrita especialmente o nosso organismo, o que despoleta a psoríase, e ajudá-la com rotinas básicas (evitar os alimentos prejudiciais, evitar vícios como tabaco e álcool, hidratar a pele, ser rápido nos duches, apanhar sol ou suplementos de vitamina D sempre que possível – e indicado pelo médico). Como disse a minha dermatologista, “Eu nunca lhe disse para ir à praia, só lhe disse que precisa de apanhar sol”. De facto, este ano deitei-me a ler na varanda durante várias manhãs e os resultados foram quase imediatos. Fazia 30 minutos exatos de exposição, e senti-me muito melhor. As lesões perdem relevo e a pele começa a cicatrizar. Mas não chegou.

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Há muitos anos que não faço tratamento para a psoríase (desde 2015). Também não usava tratamentos tópicos nem tomava comprimidos. Simplesmente hidratava a pele com o creme de ureia do Istituto Español (1,99€ em primor.eu) e usava o gel de banho que melhor funcionou com a minha pele ao longo destes anos todos, D’Aveia PS (Pele Seca, Emulsão de Limpeza – c. 23,00€). Este último é de uma marca portuguesa, cheira bem, acalma muito a pele e faz imensa espuma. Mesmo com o duche rápido diário, acaba por durar uns 2 meses, se não mais. Basta umas gotinhas para uma pessoa com 1,50m como eu. Apenas estas três coisinhas funcionaram durante anos, e desconfio que a somar a isso haveria talvez o rescaldo de vários anos das injeções de Enbrel, e ainda o facto de ter mantido uma alimentação quase vegetariana durante mais de dois anos (significa que comia leguminosas e verdes, não consumia carnes vermelhas, cozinhava peixe e carnes brancas em receitas que valorizavam os vegetais). Entretanto, comecei a tomar antidepressivos e julguei que a própria tranquilidade que advém desse tipo de medicamento estava a contribuir para a quase não manifestação da doença.

O que mudou este ano? Além de retomar as carnes vermelhas, as batatas fritas, o leite comum (durante anos também só tomei bebidas vegetais), os iogurtes, o pão, bolachas, doces com fartura, também deve ter havido alguma angústia extra devido a esta situação de pandemia mundial. E, pela primeira vez em anos, senti a doença propagar-se para zonas do corpo onde nunca a tinha tido de todo (como por exemplo as costas da mão).

Há quatro dias postei uma foto da minha perna completamente tomada de manchinhas pequeninas, muito dispersas, mas vermelhinhas (ativas e em expansão). Nesse dia decidi recomeçar a minha dieta. Rejeitei o pão, os fritos, tentei evitar glúten (mais arroz e menos massas, que adoro), comprei um chocolate negro (apesar de o cacau, o café e o chá também irritarem o doente de psoríase, o chocolate negro sempre tem menos açúcar que é outro fator problemático), ignorei as Oreos que tinha no armário e comprei bolachas de água e sal para comer com queijo fresco. Comprei fruta (figos, manga, ameixas, amêndoas), verduras (muita sopa comi esta semana), salmão (as gorduras boas ajudam) e entupi-me de água e sumos naturais (maçã, manga e ananás). A água também é importante porque convém mantermos a pele hidratada… Só que eu bebo pouquíssima água, tem de ser pensado isso de beber água. Fui ao médico (consegui uma consulta super rápido no médico do meu posto) e pedi um creme para aplicação local que ajudasse. De salientar que só comecei a pôr o creme nos braços ontem, e que nem sequer toquei nas pernas com ele porque precisava de entender o papel da dieta nisto.

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Ah, também entrou em cena uma loção hidratante de farmácia com ureia a 10% (quando se tem psoríase, os hidratantes diários devem ter pelo menos 10% desse componente, segundo me explicou a minha dermatologista. Estes hidratantes são cremes comuns que podem ser comprados nas farmácias e parafarmácias sem receita médica. O meu é da ISDIN, Ureadin, 400ml custou c. 17,00€. Não estou a ser generosa na utilização e tem sido o meu aliado nos últimos quatro dias.

 

Resumindo, em quatro dias:

- Mudei a alimentação (derrapei ao beber 1 café, comer 2 cookies, 1 refeição com couscous, 1 pão e 1 pastel de nata – os erros aqui são a cafeína, o açúcar, o glúten), mas de resto tratei-me com carnes magras, grelhados, alimentos anti-inflamatórios (alho, legumes de verdura escura, frutos secos, tomate – comprei biológico e sabe muito melhor, e o salmão, a somar a muita água.

- Passei a dedicar-me mais ao ritual de hidratação diário (D'Aveia Emulsão de Limpeza PS como gel de banho e ISDIN, Ureadin 10% Ureia como loção hidratante);

- Fui ao médico e pedi uma pomada que ajude a controlar as lesões - saí de lá com uma Betnovate que custou uns módicos 2,51€ (sem acionar a portaria de doente de psoríase), mas creio que seja necessário receita que comecei ontem a aplicar nos braços;

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Passei um bocadinho de fome de açúcar, mas estou aqui a tentar decifrar esta feitiçaria que aconteceu na minha pele. Passaram quatro dias e as lesões já secaram (as das pernas sem ajuda da pomada, que só apliquei nos braços)…

Por isso, façam a experiência. Não descurem o papel da alimentação no controlo desta doença tão complexa. Agora, para comemorar, vou comer uma pratada de massa e mais logo volto a ser santa.

De qualquer modo, para melhor aconselhamento, procurem um dermatologista. 

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